Depressão: quando viver perde o sentido (mesmo que tudo esteja “bem”)
A depressão não é sempre visível. Às vezes, ela se disfarça de rotina funcionando.
Gabriela Almeida
12/6/20251 min read
A pessoa acorda, trabalha, responde, sorri…
mas por dentro, há uma espécie de silêncio pesado, como se a vida estivesse acontecendo do lado de fora.
Diferente do que muitos pensam, a depressão nem sempre vem do caos.
Ela também pode surgir no meio de uma vida “organizada”, onde aparentemente está tudo no lugar, menos o desejo.
É como se algo tivesse se desconectado. As coisas continuam existindo, mas já não tocam.
E talvez uma das partes mais difíceis da depressão seja essa: não é só tristeza, é a perda de sentido.
Coisas que antes importavam deixam de importar.
Planos deixam de fazer sentido.
Até sentir começa a parecer esforço demais.
Vivemos num tempo que cobra felicidade constante, evolução, propósito. E, nesse cenário, a depressão muitas vezes vem acompanhada de culpa: “Eu tenho tudo… por que me sinto assim?”
Mas essa pergunta, na verdade, revela o quanto ainda tentamos explicar a dor apenas pelo que é visível.
A depressão não é falta de gratidão. É um esgotamento profundo de sustentar uma vida que não faz mais sentido do jeito que está sendo vivida.
E é justamente aí que a psicoterapia pode se tornar um ponto de apoio. Não como um lugar que exige melhora imediata, mas como um espaço onde até a falta de sentido pode ser dita: sem pressa, sem julgamento.
Na terapia, não se trata de “voltar a ser quem era”, mas de, pouco a pouco, reconstruir uma relação possível com a própria vida.
Porque, às vezes, quando tudo parece vazio,
o primeiro passo não é preencher: é ter onde sustentar esse vazio sem precisar fugir dele.
E, a partir daí, algo novo pode começar a existir.
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